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Plínio entre Rogério Ramos, capitão do Inter, e Melegari (Foto: arquivo)

Morre Plínio Maines, um dos principais nomes do Inter de Lages nos anos 1950

14/08/2026

Polivalente, ex-atleta, que defendeu o clube por uma década, começou na equipe juvenil como goleiro e depois, já no time principal, virou atacante

Plínio, o polivalente

Por Patrick Cruz*

No início dos anos 1950, o time principal do Inter de Lages ainda era coadjuvante nos torneios locais. Nesse período, os clubes da cidade ainda não participavam do campeonato estadual, então era no citadino que os colorados mediam forças com equipes como União Operária, Vasco e Aliados, então o grande nome do futebol lageano.

A ascensão do elenco principal começaria a engrenar apenas na segunda metade daquela década, o que não significa que a camisa colorada não tenha brilhado naquele tempo. Ela brilhou, e muito, com os juvenis.

Esse time de craques locais tinha a liderança de Rogério Ramos, capitão da equipe, a classe do centro-médio Áureo Malinverni - que virou zagueiro anos depois, posição em que defendeu o Grêmio de Porto Alegre por mais de uma década e que o levou à seleção brasileira - e a valentia impetuosa do goleiro Plínio Maines, um dos jogadores mais importantes do Inter na primeira década de existência do clube.

O primeiro título que o Internacional conquistou em sua história foi a Taça Bertuzzi & Ribas, em 1951, uma disputa entre os juvenis de Inter e Aliados que a Liga Serrana de Desportos (LSD) registrou como a primeira edição do campeonato municipal da categoria. Plínio era o goleiro colorado.

O Inter foi campeão municipal de juvenis também em 1952 e bicampeão de aspirantes, em 1953 e 1954. Em todos esses títulos, lá estava Plínio, que se mostraria um colorado com múltiplos talentos.

Em 1957, com um elenco que tinha alguns dos juvenis campeões de anos antes, como Áureo, Zequinha, Osmany e Rogério Ramos, o clube participou pela primeira vez do Campeonato Catarinense. Havia nomes conhecidos, mas com novidades na escalação: no dia 22 de setembro, no Estádio da Ponte Grande (atual Vidal Ramos Júnior), o Inter derrotou o Comercial, de Joaçaba, por 2 a 0, com gols de Ari Fernandes e de Plínio, que havia migrado para o ataque, posição em que jogaria até 1961.

Na madrugada de quarta-feira (12/8), esse polivalente colorado nos deixou. Gente como Plínio Maines ajudou a construir o Inter, e o Inter, em retribuição, serviu como laço de união de muitos Plínios com seus amigos, seus vizinhos, suas famílias.

Como o Inter foi a grande paixão da vida de seu marido, a esposa, Marta, e os filhos do casal decidiram depositar as cinzas do craque no Tio Vida. No estádio em que tanto brilhou, Plínio continuará fazendo pontes elásticas sob as traves, estufando as redes adversárias no instante seguinte - e nós, os colorados que não o vimos jogar, poderemos aplaudi-lo ainda assim, e para sempre.

Esse, definitivamente, não é um clube qualquer.

*Texto publicado originalmente na edição de 14/8/2026 do jornal Folha da Serra

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